Riso e Deuses :o)) Laughter and Gods

Tempo gasto rindo é tempo gasto com os deuses. ~ provérbio Japonês

                       

Time spent laughing is time spent with the gods. ~ Japanese Proverb

“”Um Xamã vai até os céus

Por Edmundo Pelizari para o Jornal de Umbanda Sagrada, Maio de 2008

Uma história dos antigos curandeiros escandinavos.
Uma velha história contada ao pé da fogueira pelos poderosos “skaldos” (poetas adi­vinhos), conta que Thorvald, um misterioso xamã, resolveu viajar até os céus onde moravam os deuses e divindades de todo o Universo.

Certa noite, ele fez suas poderosas medita­ções e preces, subindo como uma águia até as distantes mansões celestiais. Primeiro ele encontrou um grande palácio, todo fortificado e protegido pelos anjos mais terrí­veis e fulgurantes. Adentrando por uma fortificada porta de ouro, caminhou até a sala principal onde encontrou um deus idoso e luminoso, sentado em um magnífico trono de fogo. Irado com aquela invasão, o deus perguntou ao xamã o que fazia ali e o ameaçou com terríveis maldições.

Thorvald respondeu que desejava conhecer a verdadeira natureza dos deuses e tirar suas próprias conclusões. O deus então gritou, lamentou, lembrando ao mortal xamã que ali não era lugar de simples humanos. Depois pediu que fosse rapidamente embora, voltando à terra para cumprir os deveres impostos aos seus pobres habitantes.

Thorvald, sem perder a compostura, perguntou se havia alguma vantagem em seguir os ensinamentos e os mandamentos de um deus tão bravo e exigente. Irritado ainda mais, o deus o expulsou dali. Tranquilamente Thorvald acenou e foi embora um tanto desapontado.

Em seguida, voando mais alto, ele avistou outro palácio celestial. Era uma construção muito bela, florida e perfumada. Ali morava o deus do amor. Mais uma vez, Thorvald entrou sem ser anunciado, encontrando um deus afável e carinhoso, sentado em uma simples almofada. O deus do amor, dando mostras de satisfação, gentilmente perguntou ao xamã quem era ele e o que desejava ali em sua modesta morada.

Thorvald respondeu que desejava conhecer a verdadeira natureza dos deuses e tirar suas próprias conclusões. O tranqüilo deus ficou profundamente triste com tal pergunta. Argumentou que necessitava ser amado, acarinhado, respeitado, pois sofria por todos os humanos e tinha dado tudo para a ignorante humanidade, sem nada receber em troca. Depois disso, desabou em lamentos infindáveis.

Thorvald, sem ficar abalado, perguntou se havia alguma vantagem em seguir os ensinamentos e os mandamentos de um deus tão bom, carente e pedinte. O deus do amor abaixou os olhos e suspirou longamente…

Thorvald, decepcionado mais uma vez, saiu daquele lugar. Na imensidão dos céus, desta vez resolveu voar mais longe e mais alto ainda. Viajando além das estrelas jamais vistas a olho nu, viu ao longe uma magnífica fortaleza e dentro dela uma pequena cidade. Entrou nela, andou pelas ruas e ouviu uma grande algazarra vinda de uma espécie de taverna. Assombrado por tão grande alarido, Thorvald abriu a porta e encontrou uma centena de deuses gritando, cantando e rindo como crianças.

Subindo em cima de uma mesa, ele valentemente indagou que espécie de espelunca celeste era aquela e que tipo de deuses malucos eram eles. Ninguém respondeu… Thorvald passou a gritar cada vez mais forte, mas nada acontecia. Ele era completamente ignorado pelos divertidos convivas.

De repente, um jovem e belo deus olhou para ele e o convidou para um trago. Thorvald, que já havia visto de tudo sob o céu e debaixo da terra também, ficou completamente atordoado com tal comportamento e sugestão. Não suportando mais aquela ridícula cena, ele começou ofender todos os que ali estavam sem temer as conseqüências.

Os deuses pararam a brincadeira, olharam para Thorvald e caíram em uma debochada gargalhada. Em seguida retomaram suas canções e jogos. O jovem e belo deus tornou a olhar para o confuso xamã e disse alegremente: “Meu filho, você nada entende de boas ma­neiras. Sabe que podemos destruí-lo agora mesmo? Mas de que adiantaria? Já que viajou tanto para buscar uma verdade, sente-se e beba conosco. Contudo, escreva em seu coração: sempre desconfie de um deus e de uma religião que não tenha senso de humor!”

O xamã, caindo em si, agradeceu a lição e foi embora pensativo. Retornando rapidamente para junto dos humanos, Thorvald estava completamente satisfeito. Aprendera a verdadeira natureza dos deuses e divindades. Encontrara, por fim, o sentido real da religião.

Centenas de anos se passaram… E a pobre humanidade voltou a ser séria, iracunda, fanática, chorosa e egoísta em matéria de religião. Deuses sedentos de vingança ou repletos de culpa fazem sucesso na vida moderna. O xamã Thorvald, hoje habitando o céu dos alegres deuses e deusas, olha para baixo e ri de todos nós…”"

Que tipo de Deus você ama?

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