Victoria Thierrée Chaplin ‘viajou’ em uma publicação vendida nas ruas da Paris medieval e criou, junto com a filha atriz, o Oratório de Aurélia. The World Upside Down (O Mundo de Cabeça para Baixo) trazia desenhos populares de situações invertidas e loucura, como um cavaleiro carregando seu cavalo nas costas ou uma árvore com as raízes para cima e os galhos na terra. Num processo intuitivo filha e neta de Charles Chaplin demoraram um ano para criar esta obra-prima onde todo cenário e adereços foram feitos `a mão e que continua sendo transformada. “A Vic vê os filmes das apresentações e nos liga no Skype para mudarmos algo. Ela está em turnê há 15 anos com meu pai – o Circo Invisível. Mas se não estivessem, ela estaria aqui dando pitecos. Ela adora aprimorar, mudar, tornar perfeito”. Filha de Chaplin, “Chaplinha” é!

5 anos depois da ‘première en France’, Aurélia e Jaime, porto-riquenho ex-dançarino por 20 anos da Parsons Dance Company, fizeram muito sucesso na Europa, Ásia e América. Ele conta: “O processo de criação delas é como uma cia de dança, trabalhando com filmagens e vendo o que funciona. Mas também quiseram me tornar um ser humano, o que para mim é difícil pois fui dançarino por 43 anos. Diferente e igual do Parsons que é puro físico, precisando praticar muitíssimas vezes, esse espetáculo é muito por dentro, muito sentimento, e tenho que fazer caras e voar a 10 metros do chão, como nunca fiz antes.”
Qual a história? A atriz responde: “prefiro que o público descubra. Cada pessoa tem uma visão diferente e descobre uma história. O show é entretenimento e ilusão, e tudo o que eu falar é bla, bla, bla… Tipo o trem que passa por dentro da minha barriga. Como explicar? Quando sonhamos aceitamos tudo no sonho como sendo real, daí acordamos e vemos que era nonsense, absurdo. As crianças gostam muito, especialmente quando percebem que estão vendo algo que não foi feito para crianças. Dependendo da sua interpretação, há uma relação com a loucura, a imaginação ou os sonhos. É sempre libertador ver uma coisa que parece que vai acontecer de um jeito e depois somos surpreendidos. É fácil ver os truques, mas a platéia em geral não quer prestar atenção em como é feito e assim fica maravilhada com o resultado.

Com apoio da Embaixada da França, no Brasil 8.000 pessoas já assistiram ao show visual baseado em ilusões óticas, e que varia com a expectativa do público. “A reação muda muito. Em Londres eles ficam extasiados com os truques. Aqui a platéia vê mais a dramaticidade, a conexão com suas próprias vidas.”

Este post foi feito depois da entrevista coletiva dos atores Aurélia Thierrée e Jaime Martinez que estarão mostrando L’Oratorio d’Aurélia na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional de Brasília dias 21 e 22 de junho. Sábado `as 21h e Domingo `as 20 horas. Depois rodarão no Brasil.
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